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Tudo o que você precisa saber sobre privacidade em stablecoins

Índice

Criptomoedas são comumente associadas a anonimato. Mas stablecoins estão em um outro patamar. Hoje nós discutiremos por que elas não são tão confidenciais quanto criptomoedas. Nós discutiremos de que maneira as stablecoins centralizadas diferem das moedas descentralizadas, quais são os problemas de privacidade, e como/se eles são resolvidos.

Stablecoins e privacidade

A regulamentação estatal de criptomoedas é uma tarefa complexa, que está sendo encarada pelos países desenvolvidos. Para o desenvolvimento e a implementação de leis, eles frequentemente recorrem a empresas analíticas que trabalham com blockchain. Uma delas é a Chainalysis, que monitora transações com criptomoedas.

A Chainalysis trabalha com agências internas dos Estados Unidos e da Europa, como o Escritório Federal de Investigações (FBI) e a Europol. O rastreamento de até 90% de todas as transações em criptomoedas ajuda no combate à corrupção, fraudes e financiamento de terrorismo. De acordo com o relatório da Chainalysis, mais de $1 trilhão em transações com criptomoedas circulou em 2019, sendo que 1,1% disso ocorreu de forma ilegal.

O trabalho dos serviços de análise blockchain é, de fato, identificar a conexão entre indivíduos específicos com transações específicas na rede. Graças aos serviços da Chainalysys, o Serviço Interno de Receita (IRS) dos Estados Unidos consegue rastrear os movimentos de detentores de bitcoin, monitorando o pagamento de impostos. Dessa forma, transações em Bitcoin não podem ser consideradas completamente anônimas.

Para as stablecoins, que possuem cotação atrelada à taxa de câmbio de um papel-moeda, a questão de confidencialidade é ainda mais complexa. Os problemas derivam dos objetivos buscados pelos usuários:

1. Minimizar os riscos associados à volatilidade das criptomoedas.

O problema nesse caso é a simplicidade dos algoritmos das stablecoins. Isso faz com que seja mais simples o monitoramento por redes, como a Chainalysis. A redução de privacidade pode ter consequências negativas em países nos quais o mercado de criptomoedas ainda não é regulamentado.

2. Se protegerem contra a inflação na economia real

Nesse caso, o detentor de uma stablecoin está sob risco, já que age na direção oposta à política econômica nacional. Pode haver conflito de interesses não só no nível ideológico, mas também no nível legal. Com a desvalorização da moeda nacional, as medidas anti-crise incluem controle sobre o movimento de capital. Um caso assim ocorreu na Argentina em 2019, quando o governo forçou seus cidadãos a manterem uma moeda que perdia valor rapidamente.

3. Uso em Finanças Descentralizadas (DeFi)

Devido à ausência de transparência com criptomoedas, o mercado financeiro tradicional não pode integrá-las completamente. As stablecoins permitem que se crie uma alternativa aos sistemas financeiros existentes em blockchains.

Todos esses problemas são solucionados de formas diferentes, já que os parâmetros de privacidade de qualquer criptomoeda dependem dos seus princípios de operação. As stablecoins podem ser divididas em dois grupos – centralizadas e descentralizadas.

Stablecoins centralizadas

Stablecoins centralizadas têm taxa de lastro 1:1 em moedas armazenadas em contas bancárias. Elas são criadas e administradas por uma única organização, que armazena dados apenas em seus próprios servidores. Mesmo assim, a stablecoin de uma única empresa pode existir em diferentes blockchains. Por exemplo, a UDST circula nas plataformas Omni, Ethereum, EOS, Tron e Liquid.

Exemplos: USD Tether (USDT), Paxos Standard (PAX), Binance USD (BUSD).

A organização sem fins lucrativos “Fundação dos Direitos Humanos” (HRF) apresentou, em 2019, um relatório com uma análise de privacidade para stablecoins. A HRF identificou 5 parâmetros principais de avaliação:

  1. A possibilidade de se monitorar transações usando Chainalysis;
  2. Contratos de código-aberto;
  3. Ferramentas básicas de privacidade;
  4. A possibilidade de congelamento de contas;
  5. Certificações mensais.

Таблица характеристик разных стейблкоинов. Источник: Human Rights Foundation

Tabela com as diferentes características das stablecoins. Fonte: Fundação dos Direitos Humanos

Das citadas acima, somente a USDT na blockchain Liquid suporta ferramentas de privacidade. A ferramenta é a Confidencialidade de Transações, que oculta o tipo de bem e o montante de cada transação.

É importante considerarmos não apenas as capacitações técnicas das organizações, mas também como elas utilizam sua influência. De acordo com a HRF, a Tether só congelou o USDT em 16 endereços diferentes.

Stablecoins descentralizadas

Stablecoins descentralizadas não possuem uma regulação central única. Elas têm lastro em criptomoedas colaterais e são administradas pelos próprios usuários.

Exemplos: DAI, EOSDT, USDJ
A stablecoin descentralizada DAI, assim como a USDT, é atrelada ao dólar americano. A diferença é que,

para adquiri-las, o usuário precisa bloquear uma certa quantia de ETH.

O principal entrave de privacidade é que é muito fácil para redes de monitoramento, como a Chainalysis, identificarem os usuários. Isso ocorre porque a blockchain Ethereum encoraja a reutilização de endereços. Por padrão, a maioria dos usuários fazem todas as suas transações através do mesmo endereço. Isso permite que empresas de monitoramento identifiquem a relação entre indivíduos específicos e transferências. Contudo, ainda é tecnicamente impossível bloquear fundos em DAI por decisão do órgão regulatório.

Em 12 de outubro de 2020, a plataforma Aztec 2.0 foi anunciada para a blockchain Ethereum. Essa startup fornece métodos para envio de tokens com um alto grau de anonimato. O protocolo zkSNARK oculta os dados do remetente e do destinatário, assim como o volume da transação, tornando-as privadas.

Conclusão

O próprio propósito de se usar stablecoins causa uma série de problemas de privacidade. Projetos centralizados e descentralizados trazem soluções de diferentes ângulos, mas os analistas da HRF concluem que a privacidade em stablecoins ainda “deixa muito a desejar”.

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