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Perspectivas e riscos de investir no DeFi

Índice

Em 2020, a DeFi é a principal tendência na indústria blockchain. Neste ano, a quantidade de fundos bloqueados em DeFi aumentou em US$ 10 bilhões. Por que a DeFi é tão atrativa para investidores, e por que vale a pena investir nela? Leia este artigo e descubra as respostas para essas perguntas.

O que é DeFi

DeFi é uma área na indústria blockchain que inclui aplicativos que trabalham independentemente, fornecendo serviços financeiros. O principal objetivo da DeFi é simplificar os instrumentos financeiros tradicionais, como empréstimos, transferências, transações de câmbio e seguros. As vantagens das finanças descentralizadas estão na eliminação dos intermediários presentes nos meios tradicionais. A ausência deles aumenta a velocidade das transações e reduz os custos, graças à automação.

DeFi em 2020

Até novembro de 2020, o valor total de fundos bloqueados em contratos inteligentes era maior que US$ 11 bilhões. Comparativamente, o valor bloqueado em DeFi em 1º de janeiro de 2020 era de US$ 675 milhões.

A maioria dos protocolos DeFi são executados no blockchain Ethereum, usando tokens do padrão ERC20. DeFi é uma das razões pelo crescimento da rede Ethereum em 2020. O valor da criptomoeda ETH aumentou de US$ 130 em 1º de janeiro de 2020, para US$ 386 em novembro de 2020. Além disso, o número de endereços na rede Ethereum aumentou em 25% no último ano.

Em setembro, a corretora descentralizada Uniswap lançou tokens de governança UNI, de forma a atrair liquidez. Como resultado, a Uniswap subiu para a primeira posição no ranking dos projetos DeFi, em termos de volume de recursos bloqueados. Além disso, ela está no Top 5 em termos de volumes movimentados entre todas as corretoras de criptomoedas, incluindo as centralizadas. No fim de setembro, a quantidade de fundos bloqueados no protocolo superava US$ 2 bilhões, chegando a US$ 2,7 bilhões em novembro. A razão para tanto sucesso é a forma como os tokens UNI são distribuídos. 15% da emissão ocorreu por envio gratuito de moedas a usuários que executavam certas ações. No caso da Uniswap, os tokens entraram nas carteiras de todos os usuários que executaram transações antes de 1º de setembro. O volume total emitido foi de 1 bilhão de tokens, que será distribuído ao longo de 4 anos. O preço das tokens UNI aumentou para US$ 6,59 logo depois da introdução, mas caiu rapidamente, para a faixa dos US$ 2 a US$ 3.

Outro exemplo de sucesso em DeFi em 2020 são os tokens de governança YFI do projeto Yearn Finance. O valor do token no início das vendas, em julho de 2020, era de cerca de US$ 90. Em meados de setembro, o token já valia US$ 40000, superando o Bitcoin. Iniciou-se uma queda em seguida, com seu preço chegando a cerca de US$ 10000 em novembro.

Perspectivas de desenvolvimento de DeFi

A principal diferença entre aplicativos descentralizados e serviços tradicionais é a ausência de uma autoridade central única, que gerencie todos os processos. Por exemplo: no sistema financeiro, esses órgãos podem ser bancos, organizações comerciais ou estatais. As funções de uma organização centralizada são executadas por meio da blockchain e contratos inteligentes.

A blockchain proporciona um certo nível de confiabilidade à DeFi. Protocolos e contratos inteligentes são automáticos. Os códigos-fonte dos aplicativos são abertos ao público, e qualquer investidor que conheça linguagem de programação poderá analisá-lo. O sistema é transparente, e a criptografia dos protocolos blockchain fornece proteção contra falsificação de dados.

A descentralização de protocolos forçou os desenvolvedores a criarem um mecanismo para atrair liquidez, que é necessária para o funcionamento dos projetos. O resultado foi a possibilidade de os usuários bloquearem seus fundos em contratos inteligentes de protocolos DeFi, recebendo uma porcentagem de lucros. Em alguns desses projetos os usuários não recebem apenas um lucro, mas também tokens de governança, que possuem seu próprio valor. Utilizando projetos como Uniswap, Compound e Yearn Finance, a comunidade percebeu que as pessoas se interessam por receber recompensas ao prover capital. Isso acabou se tornando uma ferramenta de investimentos conveniente.

Os usuários também são atraídos pela facilidade de acesso. Bancos costumam ter muitas exigências, negando pessoas de baixa renda ou com histórico de crédito desfavorável. Quando lidamos com DeFi, esses fatores não importam. Os empréstimos são assegurados por colaterais e, assim, os protocolos não são afetados pela possibilidade de alguém não pagar seu empréstimo. Adicionalmente, os usuários não precisam se registrar ou passar por verificação para utilizarem projetos DeFi (com raras exceções). As exceções incluem alguns poucos projetos, como a plataforma de seguros por contrato inteligente Nexus Mutual. Para usá-la, é necessário ser aprovado em uma verificação KYC.

Riscos associados aos investimentos em DeFi

O mercado para finanças descentralizadas é relativamente novo – o primeiro projeto DeFi, MakerDAO, só apareceu em 2016. O crescimento ativo desse segmento só deslanchou a partir de 2020. Portanto, tem se tornado cada vez mais difícil prever o futuro da DeFi. No momento, durante o crescimento ativo do setor, surgem mais e mais projetos e tokens relacionados. Em novembro de 2020 já temos mais de 200 aplicativos DeFi. Muitos deles só copiam outros que já existem, na intenção de fazer dinheiro com a tendência atual. Com tanta diversidade, está ficando mais difícil selecionar projetos DeFi. Os tokens de projetos já populares podem cair de valor, como YFI e UNI. Outros projetos param de funcionar assim que atraem os primeiros usuários, como a YAM Finance.

A descentralização de projetos DeFi traz aos investidores não só vantagens, mas também riscos. Assim sendo, a confiabilidade do protocolo e a proteção dos fundos bloqueados nele dependem inteiramente do código do programa. E ainda há riscos de hackeamento ou perda de fundos, devido a erros no código. Como não existe uma entidade governante central, não é possível corrigir erros rapidamente ou impedir a ação de hackers. Qualquer mudança no protocolo é feita exclusivamente por votação entre os proprietários de tokens de governança. E assim, mesmo projetos que passaram por auditorias técnicas sérias e possuem alta reputação na comunidade não são capazes de prover 100% de garantia de segurança para seus fundos.

Mantenha em mente, também, que alguns projetos DeFi – como o SushiSwap – são anônimos. Em casos de fraude por parte de organizações comuns, você pode levá-las à justiça. Já em projetos DeFi anônimos, é mais difícil fazer isso.

Resumo

DeFi é um ecossistema de aplicativos que copia as funcionalidades dos instrumentos financeiros tradicionais. Esses aplicativos usam tecnologia blockchain para funcionarem. Em 2020, a quantidade de fundos bloqueados em projetos DeFi aumentou de US$ 600 milhões para US$ 11 bilhões.

Os projetos DeFi são de interesse dos investidores por vários motivos:

  • Potencial por eliminar intermediários e utilizar tecnologia blockchain;
  • Facilidade de uso;
  • Oportunidade de receber juros ao se bloquear fundos em contratos inteligentes;
  • Possibilidade de receber tokens de governança, que possuem seu próprio valor.

Investir em DeFi traz seus próprios riscos:

  • Como DeFi é uma tendência, o número de projetos se tornou muito grande e muitos deles não são confiáveis;
  •  A tecnologia blockchain não garante proteção contra hackers;
  • O processo de edição de projetos DeFi requer votação, algo que pode ser crítico se uma vulnerabilidade for encontrada no código;
  • Alguns projetos DeFi são criados por desenvolvedores anônimos, o que torna mais difícil a responsabilização em casos de fraude.
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