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O que é ERC20 Token Standard

Índice

 

Qualquer interessado em criptomoedas provavelmente já ouviu falar de tokens ERC20. Neste artigo, iremos explicar o que são esses tokens, onde elas são usadas e o porquê de serem tão populares.

O que é ERC20

ERC20 é o padrão para tokens da blockchain Ethereum. ERC é uma sigla para Ethereum Request for Comments (Solicitação Ethereum para comentários). O número 20 vem do número de série do padrão, que permite distingui-lo de outros. Existem outros padrões de token, como o ERC721. Não chamamos de ERC20 o padrão em si, mas sim os tokens que são criadas de acordo com ele.

Esse padrão para tokens foi criado pelo fundador da Ethereum, Vitalik Buterin, em 2015. Ele desenvolveu o conceito ERC20 para mitigar problemas de compatibilidade de tokens com serviços em criptomoedas. A falta de compatibilidade gerava os seguintes problemas:

  • Necessidade de se gerar um novo código para cada novo tipo de token;

  • Para que um serviço em criptomoeda pudesse funcionar com o token, era necessário regular os detalhes técnicos com o serviço de suporte. Esse processo levava muito tempo.

Funções do padrão ERC20

O código fonte do ERC20 está escrito em Solidity, a mesma linguagem de programação da Ethereum. O padrão consiste em um conjunto de funções, que são empregadas quando se escreve o código do token. Seis dessas funções são obrigatórias:

  • TotalSupply – o número máximo de tokens que um contrato inteligente poderá emitir;

     

  • BalanceOf – o balanço atual de tokens e a atribuição desse montante ao endereço da carteira;

     

  • Transfer – transferência de tokens de um endereço primário para os primeiros compradores;

     

  • TransferFrom – o endereço a partir do qual os tokens são transferidas;

     

  • Approve – aprovação da transferência de fundos e verificação de sua disponibilidade no contrato inteligente;

  • Allowance – checagem do balanço da conta, que garante que o usuário esteja enviando um valor em tokens que ele realmente possui.

O padrão ERC20 também inclui 3 funções recomendáveis, para uma melhor execução:

  • Name – o nome do token;

  • Decimal – número de dígitos após o separador decimal, máximo de 18;

  • Símbolo – símbolo para câmbio e outras plataformas de criptomoedas.

Juntas, essas 9 funções formam um conjunto de regras dentro das quais todas os tokens ERC20 funcionam.

Tokens ERC20

ERC20 foi o primeiro padrão de tokens criado, o que explica o porquê de sua alta popularidade na indústria de criptomoedas. Esse padrão foi usado intensamente durante a hype do ICO, entre 2017-2018. Ele permite que alguém emita facilmente uma ordem de transferência de tokens para investidores, e que também determine os princípios a partir dos quais os tokens serão designadas a endereços primários, por via de regra (pertencentes aos iniciadores da ICO). Por exemplo: tokens ERC20 foram usadas durante o ICO do projeto DAO, durante o qual os iniciadores apuraram mais de US$ 100 milhões em investimentos.

Em 2020, tokens ERC20 têm sido constantemente utilizadas em aplicativos descentralizados – os dApps. Esses aplicativos possuem a peculiaridade de não terem uma equipe desenvolvedora central, que possa modificá-los. Após o lançamento, qualquer mudança é passível de votação entre os membros da comunidade. Todos os processos do app são automatizados através de protocolos, que originalmente suportam um padrão token. Como o ERC20 é o padrão mais comum, ele é geralmente empregado nos dApps. Um exemplo são os tokens usadas no MakerDAO, Uniswap, Synthetix e muitos outros aplicativos que rodam na blockchain Ethereum.

O padrão ERC20 também é utilizado por empresas centralizadas convencionais. As stablecoins USDT emitidas pela Tether e os tokens BNB da Binance, por exemplo, são baseadas nesse padrão.

A maior parte das carteiras com suporte a criptomoedas Ethereum também suportam tokens ERC20. Alguns exemplos são as carteiras software MetaMask e MyEtherWallet, mas carteiras hardware – como Trezor e Ledger – também podem funcionar com esse padrão.

Desvantagens do padrão ERC20

O ERC20 foi o primeiro padrão criado para tokens da blockchain Ethereum, de forma que os seus criadores não foram capazes, na época, de prever alguns possíveis entraves futuros:

  • Vulnerabilidade BatchOverFlow. Isso foi descoberto em 2018. Devido a um erro no código, hackers são capazes de causar uma “inundação” de tokens em um contrato inteligente, criando uma grande quantidade de novos tokens. Os desenvolvedores da Ethereum corrigiram essa falha pouco tempo depois de sua descoberta.

  • Execução automática de contratos. Isso ocorria quando tokens ERC20 interagiam com contratos inteligentes que não tinham suporte a esse padrão. A transação não podia ser executada, mas os fundos do usuário eram congelados e permanentemente perdidos. Esse problema foi encontrado pelo desenvolver de alcunha Dexaran, em 2018.

  • Simplicidade de criação. O processo de implantação (deploy) de software para o ERC20 não demanda muito tempo, ou conhecimentos de programação avançados. Essa simplicidade foi, inclusive, abusada por scammers, que conduziram ICOs não para o desenvolvimento do projeto, mas para tirar dinheiro de investidores.

Conclusão

ERC20 é o padrão para tokens da blockchain Ethereum. Ele contém nove funções, que juntas constituem um conjunto de regras para o funcionamento de tokens. O ERC20 solucionou o problema de compatibilidade de tokens com outros serviços de criptomoedas.

Tokens ERC20 foram ativamente usadas durante a hype ICO, e agora são amplamente usadas em aplicativos decentralizados. Quase todas as carteiras que trabalham com a criptomoeda Ethereum têm suporte a esse padrão.

O ERC20 tem seus próprios problemas, como vulnerabilidade BatchOverFlow e execução automática. A simplicidade de criação de tokens através desse processo também faz com que elas sejam frequentemente criadas por scammers.

 

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